domingo, 22 de novembro de 2009

Outro poema

Aqui fica mais um poema de Papel a Mais.

Hodometria

Magro filósofo. Poeta pobre.
Por inimigo, o tempo: resistir-lhe
sem perder o respeito
devido ao vencedor.

Agricultor de sonhos:
no terreno comum
da nossa estupidez e coisa pouca
mourejar procura e sementeira
da luz essencial.

Obedecer às leis da natureza,
vestido como sou
de condição humana.
Das outras, aceitar
as que em mim não destruam
o respeito possível
às funções do poder.

Ser, apenas. E sabê-lo
enquanto a consciência perdurar
em corpo e tempo reunidos:
movimento eterno do efémero
que me trouxe e me leva.

No cerne, amor.
O resto, casca.

Lúcido querer?
Prático labor?
Silêncio, guerras, paixões?
-Um só destino: amor.

R.V.

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