quinta-feira, 1 de abril de 2010

Caricatura de RV por Pedro Vieira


Esta é a caricatura original de Manuel Medeiros ou Resendes Ventura (dependendo do momento), gentilmente cedida pelo autor, Pedro Vieira (http://irmaolucia.blogspot.com/), publicada pela revista "Ler" de Janeiro de 2010, já aqui exibido em http://papelamais.blogspot.com/2010/01/francisco-belard-escreve-sobre-papel.html

terça-feira, 30 de março de 2010

I Encontro Livreiro

O encontro livreiro foi um sucesso. Manuel Medeiros ficou bastante satisfeito e já só pensa no desafio de Luís Guerra: para o ano há mais! Se não for antes…

Entretanto, há quem fale por aí desse bocadinho de domingo passado, na Culsete. Aqui fica um relato:

http://adasartes.blogspot.com/2010/03/encontro-literario.html

domingo, 21 de março de 2010

Teresa Rita Lopes vai à Culsete

capa-Teresa Rita Lopes original

No próximo dia 27 de Março de 2010, pelas 16,30 horas, a Livraria Culsete, em Setúbal, abrirá as suas portas para um encontro com Teresa Rita Lopes a propósito do seu mais recente livro, O Sul dos meus Sonhos, numa sessão que contará ainda com a presença de representantes da Editora Gente Singular e a participação de Rui Moura, que interpretará alguns dos poemas do livro, musicados por si.

Reconhecida internacionalmente como investigadora e grande divulgadora da obra de Fernando Pessoa, a que tem dedicado boa parte da sua vida, Teresa Rita Lopes tem uma obra literária repartida entre o ensaio, a poesia e os textos para teatro. Continua a desenvolver intensa actividade académica, no país e fora dele.

Com este título, a escritora reafirma a força poética da sua voz. Ao ler O Sul dos meus Sonhos o leitor vai reencontrando paisagens que já conhece, sentimentos e afectos que já visitou, vai-se permitindo entrar mais fundo no jogo para o qual é incitado, a cada verso, a cada palavra.

É para a Culsete um privilégio e um motivo de orgulho, neste mês de Março - mês da mulher e da poesia -, ler e conversar, "de viva voz" com Teresa Rita Lopes, uma voz ímpar e já incontornável na poesia portuguesa, numa partilha de emoções e sentidos com todos os leitores amantes de poesia. É, pois, mais uma sessão imperdível.

F.R.M.

domingo, 7 de março de 2010

Convívio Livreiro

Eis o convite que Manuel Medeiros enviou:

Convívio Livreiro

DOMINGO-28 de MARÇO-2010

A partir das 15,30h

na

clip_image002E-mail: culsete@gmail.com

 

CONVITE

O convite parte, com muito gosto, do livreiro da Livraria Culsete. Os amigos do ramo livreiro e todos os que se consideram como «gentes do livro» são convidados e convidam-se uns aos outros, para um convívio na tarde do domingo, dia 28 deste mês de Março de 2010, com o único objectivo de nos encontrarmos e conversarmos descontraidamente, saboreando um Moscatel de Setúbal.

O velho livreiro crê que passarmos juntos uma tarde numa simples livraria conversando sobre o que mais nos interessar e agradar é uma forma simpática de prestigiarmos o nosso trabalho e afirmarmos a sua importância no mundo do livro e da leitura.

*Traje obrigatório: interesse em participar e boa disposição!

Setúbal, 4 de Março de 2010

Manuel Pereira Medeiros

domingo, 14 de fevereiro de 2010

«Uma ilha em Setúbal»

É com este título que a revista Os Meus Livros de Fevereiro de 2010 publica uma página sobre a Culsete e Manuel Medeiros, por Jaime Delgado. E diz assim:

DSCF2735 Uma ilha em Setúbal

Manuel Medeiros diz da sua livraria que “é um jardim”. E basta entrar para sentir o perfume dos livros.

Quem frequenta as tertúlias literárias sabe que em Setúbal há uma casa onde elas têm um lugar muito especial. Criada em 1973, a livraria Culsete é uma casa que reflecte bem a postura de Manuel Medeiros. Também é conhecido como Resendes Ventura. Mas isso, já lá iremos... Um dos aspectos que imediatamente saltam à vista do visitante é a arrumação dos livros, alinhados, não por género (como é mais vulgar), por autor (como muitos de nós fazemos em casa) mas por... editoras.

O que significa isto é que o ritual passa por consultar o livreiro, aqui uma espécie de curandeiro por detrás do balcão, sabedor do seu espólio e capaz de sugerir o livro que nasce de uma conversa ao acaso. Estamos num espaço generalista. Aqui, encontra Dan Brown, José Rodrigues dos Santos, José Saramago, mas também as propostas da & etc, edições antigas de Cortázar, da Fundação Calouste Gulbenkian ou da Antígona. O livro é o centro das atenções, destinado a diferentes perfis de leitores.

Manuel Medeiros começou a sua actividade na Culdex, também em Setúbal, três anos desta aventura. Era uma Cooperativa livreira, movimento que nasceu nos anos 60 e perdurou até meados da década seguinte, conjunto de livreiros associados para levar a cabo a sua actividade, mas também “um autêntico movimento cultural”, salienta.

DA ILHA PARA A PENÍNSULA

Nasceu nos Açores, veio para Lisboa e daí para Setúbal, onde “só havia uma livraria”. Depois de estudar a cidade, gizou o seu negócio. Os contornos foram dados pela conjuntura: “o atraso era enorme devido ao baixo nível de instrução da população, da falta de identificação da população com a cidade”, explica-nos.

A dinamização cultural é um dos grandes trunfos deste espaço. Urbano Tavares Rodrigues, Baptista-Bastos e Mário Ventura (na imagem) protagonizaram uma conversa inesquecível, mas também já foram visita Gonçalo M. Tavares, Mário de Carvalho e muitos outros. Recentemente, muitas das suas histórias e reflexões foram passadas livro. “Papel a Mais”, é o título algo irónico do volume editado pela Esfera do Caos (e assinado Resendes Ventura), onde cabem décadas de experiência e de saber. Além da sua prosa inclui ainda diversos textos inéditos de Matilde Rosa Araújo, Urbano Tavares Rodrigues, Sebastião da Gama ou o seu conterrâneo (e grande contador de histórias) Onésimo Teotónio de Almeida. E lá está o livro na sua livraria, bem à vista e em mais do que um sítio... ¶

(na fotografia inferior: Trio de força – Mário Ventura, Urbano Tavares Rodrigues e Baptista-Bastos.)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Francisco Belard escreve sobre «Papel a Mais»

Francisco  Belard escreve na Revista Ler de Janeiro de 2010 um artigo sobre o Papel a Mais. Muito interessante e bem apanhada, também, é a caricatura feita a Manuel Medeiros. Aqui fica a transcrição.

UM LIVREIRO ESCRITOR

Se me perguntam como é, podem ouvir «Um homem metido num chapéu e pendurado num cigarro.» Não foi em Setúbal que ouvi isto, mas na Casa dos Açores, dito por uma amiga do homem do chapéu, «tão setubalense como eu», comentou ele, açoriano, setubalense de adopção. Ele é Manuel Medeiros, o livreiro da Culsete. Setúbal tem que ver com os Açores? Tem pelo menos, e não é pouco, M. Medeiros, que em 1970 trocou a ínsula pela península (de Setúbal) e em 1973, com 37 anos, abriu a livraria na cidade onde se fixara em 1970. Culsete? Nome estranho; primeira sílaba de cultura e sete de Setúbal. Veio atrás de outra empresa. Culdex, galeria de exposições e divulgação cultural, falhada em 1973. É escasso o espaço na Avenida 22 de Dezembro, escondido para quem só conhece a Avenida Luísa Todi, mas grande o trabalho do livreiro e dos que o ajudam ali e noutros locais (como foi a Feira de Sant’Iago). É raro encontrar livreiros como este, que leu e releu muito, que lê aos 73 anos com sentido crítico, dizendo o que pensa, sabendo o papel da sua profissão, não redutível ao «merceeiro de livros», e publicando, ou seja tornando pública, a leitura. Que conhece cantos e recantos do sector, da escrita à edição, distribuição, promoção e animação que fazem parte do incentivo a ler. A par disso escreve, e bem. Medeiros é desde jovem «agente cultural», como se diz, sem subsídios (que merece, mas podiam «distorcer a verdade do mercado», como também se diz), leitor quase omnívoro, escritor, livreiro, animador cultural.homem metido chapeu pendurado cigarro

Tudo isto e muito mais se percebe em Papel a mais, de Resendes Ventura (Esfera do Caos, 2009). Não é só «rol de memórias», é recolha de poemas e outros textos seus e de escritores que o apreciam ou que ele admirou; assim o livro inclui inéditos de Matilde Rosa Araújo, Teresa Rita Lopes, Maria Alberta Menéres, Luisa Ducla Soares, Silva Duarte, Avelino de Sousa, Urbano Tavares Rodrigues, Eduíno de Jesus, Urbano Bettencourt, Onésimo Teotónio de Almeida, Armando Côrtes-Rodrigues, «o Patriarca», Maria de Lourdes Belchior, Fausto Lopo de Carvalho e Sebastião da Gama, além da ilustração de José Ruy (e Resendes Ventura fez desenhos e vinhetas para o seu livro). Outro apoio, aligeirando o risco do editor Francisco Abreu ao publicar a obra, foi do Governo Regional dos Açores, que o autor obteve por mérito próprio e clarividência de Carlos César. Resendes Ventura é açoriano de Água Retorta, «sudeste da ilha de São Miguel, entre as altitudes que levam o Pico da Vara desde a Tronqueira até ao mar». Observa-se esta coisa rara, o livreiro que reflecte sobre décadas de actividade reconhecida por leitores de vários grupos sociais, escritores, editores, etc., numa cidade grande mas não «capital cultural». Quem é Resendes Ventura? É um nome literário que o livreiro M. Medeiros usou e retoma. Provém de nomes dos avós, materno e paterno: Manuel José de Resendes e Manuel Ventura de Medeiros. Quanto a ele, que revela parte das leituras de formação, continuou a aprendizagem na idade madura, não lhe passando ao lado Jauss, Zumthor, Barthes, Steiner, Manguel O que noutros seria recordatório vaidoso é nele ensejo para comentar a política do livro, destacando nomes como Fernando Guedes, Artur Anselmo e José Afonso Furtado, entre outros, saudando a ruptura histórica de 1985-1986 com o Plano de Leitura Pública, lamentando que além da rede de bibliotecas se descurasse a função livreira. A Culsete abriu a 1 de Outubro de 1973, salvo erro quando nasceu um dos filhos do autor, Nuno Miguel Medeiros, hoje cientista social com obra publicada em torno do livro e da sociologia da leitura. Coincidências? Talvez elas sejam uma espécie de relações em que o acaso só resolve uma parcela da estranheza possível. As págs. 15-62,218-249 e 285-307 ilustram bem, pelo que guardam de autobiografia pessoal e profissional enquanto retratam figuras e factos, o sentido da obra de Resendes Ventura, ou Manuel Medeiros. Conheci este tardiamente. Um bom conversador, não de banalidades. Em cada conversa aprendo coisas, sem conseguir ensinar nada. O que conta da experiência livreira (nele uma missão cívica) e da política da leitura é lição para todos. «Metido num chapéu e pendurado num cigarro»? Talvez, às vezes. Mas muito mais do que isso.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

74 anos de experiência

Manuel Medeiros anda por aí a viver e aprender há 74 anos. Vai daí, apeteceu-nos este, hoje:

AO FIM DO DIA
QUADRAS POPULARES COM SENTIDO
NO VIVIDO E APRENDIDO

Estou vivo e nada mais
e é assim que me defino:
já me dão papel a mais
as quadras do meu destino.

Não olhes pra mim tão certo
de que falo sem sentido,
posso estar falando perto
do melhor a ser vivido.

Há sempre a palha e o grão
que é preciso distinguir,
da palha não fazes pão
nem tentes daí fugir.

Quando já tiveres vivido
muitos anos a viver,
terás então aprendido
que há manhã e anoitecer.

É belo o sol da manhã
que convida a caminhar
muito bela a vida sã
enchendo o dia a passar.

Vem a noite e ainda deve
a vida saber-nos bem?
– Sinto que o dia foi breve,
mas vivi-o, estou-lhe além!

No além da nossa vida
pode haver grande sentido
em fazer da despedida
o aprender no aprendido.

Se muito a vida vivi
e me dá papel a mais
bem percebo que há aqui
um entra que logo sais.

Por isso é este o meu tino:
se pouco posso fazer
neste dar ao meu destino
sua luz do anoitecer,

entrego-me à liberdade
de fazer o meu melhor
naquilo que mais verdade
contiver do meu amor.