domingo, 16 de dezembro de 2012

NATAL! NATAL! NATAL!… E livros! Os melhores!

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Feliz natal!Também com livros  Etiqueta clip_image002[1]

Visite as livrarias independentes.

Estamos à sua espera na Culsete.

Passeie-se pelas nossas estantes e pelas nossas bancas de livros.

Vai surpreender-se com a nossa oferta, variada e de qualidade.

A qualidade vale mais

E escolhemos os melhores

 

Estamos abertos em horário de Natal

Das 10 às 19 horas todos os dias de 17 a 24,

Inclusive no domingo, dia 23,

Sem interrupção de hora do almoço 
Visite a nossa livraria na certeza de que Vai apreciar


desde já agradecemos
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

«O QUE É ESCREVER PARA CRIANÇAS»

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CULSETE – DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2011

http://edicaoexclusiva.blogspot.pt/2012/12/o-que-e-escrever-para-criancas.html
Passar valores através da literatura infantil numa sociedade em que eles vacilam? Quer queiramos, quer não, passamo-nos a nós próprios no que escrevemos e acho que tal basta. Muitas vezes os professores procuram exigir-nos catecismos de regras morais ou cívicas mas tais caminhos não me aliciam nem seduzem os mais novos que terão de descobrir por si, na vida e nas obras que lêem, as diretrizes que os poderão guiar.

O que é escrever para crianças? É fitá-las nos olhos, falar com elas por escrito, de coração aberto, sem abdicar da inteligência, da experiência, do domínio da palavra.

Luísa Ducla Soares

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ao fim do DIA DAS LIVRARIAS - II

Livrarias independentes? Significando pequenas livrarias com carácter tão tradicional como o das mercearias que fecharam arruinadas pela invasão das grandes superfícies?
Há neste caso das livrarias um factor que exige atenção: o comércio do livro foi desde sempre muito prejudicado, e sob vários aspectos, ao ser entendido e entender-se a si próprio nessa boa qualidade de comércio lojista praticamente igual ao da mercearia. O específico não contou o suficiente para, inclusive, a livraria ser devidamente rentável e avançar por esse país dentro, acompanhando a alfabetização. Ao evoluírem as pessoas não se recusam a ler, pelo contrário. Algo falhou.
Há ou não um específico carácter da livraria que possa servir de ponto de partida para uma afirmação de que, ao contrário das mercearias, as livrarias independentes continuarão a ser necessárias?
O que se pode avançar, como análise teórica e prática, para chegar sobre o futuro a um olhar que se não queira nem catrastrofista nem utópico?
O futuro das livrarias independentes só pode ser assegurado por leitores e livreiros com bons níveis de leitura.
Neste momento?
Não vale a pena fugir ao que se vê e se sabe.
Em estado embrionário apenas, uma tomada de consciência da exigente competência do livreiro.
Mais embrionário ainda o movimento de solidarização dos livreiros, sendo que esta é decisiva para a sobrevivência de cada um. O «cada um por si e deus por todos» continua firme, mas seria fatal não o vencer e rapidamente.
E quanto aos leitores?
Ou muito me engano ou estamos numa situação muito crítica com a nossa massa crítica. Venha cada um dizer-nos o que consigo se passa.
Os nossos leitores categorizados não estão a conseguir ler quase nada, salvo raras excepções. Porquê? Anda por aí na nossa sociedade uma pandemia a empobrecer-nos de bons leitores. Excluo os que podemos de algum modo reconhecer como intelectuais? Pelo contrário, é sobretudo a eles que desejo encarecidamente pedir resposta à pergunta: «o que se passa convosco». Ninguém melhor do que os intelectuais sabe o que deve ler, mas do que lhe anda a escapar não sabe só ele. É impossível no que se lê e se ouve não perceber as falhas.
A crise vai melhorar a situação? Lembremo-nos daquela entrevista de Beata Cieszynska e José Eduardo Franco a George Steiner que a Ler publicou no seu n.º 100:

O problema do colapso económico pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor.

L. V.

AO FIM DO DIA DAS LIVRARIAS

1

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«tenho em mim todos os sonhos do mundo»

13.Junho.1888-30.Novembro.1935

1.Fevereiro.1937-30Novembro.1995

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«no amor a reconciliação com o mundo.»

2

Para ver e ouvir até ao fim
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2012/11/30/queridos-libreros/
http://www.elcultural.es/videos/video/974/LETRAS/Queridos_libreros

30 de Novembro-DIA DAS LIVRARIAS-2012

faz favor de
ENTRAR!

 

Em Dia das Livrarias a
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presta homenagem a todos os leitores

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http://chapeuebengala.blogspot.pt/
http://www.josesaramago.org/
http://encontrolivreiro.blogspot.pt/

E JÁ A PENSAR 30 DE NOVEMBRO DE 2013…
30 de Novembro
é o nosso dia, o Dia das Livrarias.

É também um dia de todos os leitores, dos que nos visitam frequentemente e dos que só de vez em quando podem aparecer.

Um dia em que as portas abertas das livrarias são um convite à simpatia mútua entre os livreiros e um público apreciador da função das livrarias numa sociedade que se quer mais culta através da leitura.

As livrarias estão abertas para difundir o livro e a leitura.

No Dia das Livrarias, entrar numa livraria é simultaneamente um acto de culto ao livro e uma tomada de consciência de quanto a ele devemos.
A livraria guarda o segredo dos livros que são nossos.

Faz favor de entrar!

(Adaptação do espanhol  - http://www.diadelaslibrerias.es/)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIA DAS LIVRARIAS

30 de Novembro

faz favor de ENTRAR!

 
A Fundação José Saramago, em parceria com o movimento Encontro-Livreiro, transporta esta ideia para Portugal e convida todos os livreiros a associarem-se a ela, fazendo do dia da morte de Fernando Pessoa um dia de vida, para que as livrarias se encham de visitantes, contrariando a tão real crise que leva tantos a temer o fecho iminente desses espaços de cultura.

 

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30.NOVEMBRO.1935

30.NOVEMBRO.1995

E não é que Fernando Assis Pacheco se juntou à festa do Dia das Livrarias, com a ajuda do filho João? Aqui vai a mensagem que o João Pacheco nos escreveu. Com saudades, todos.

http://www.josesaramago.org/

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Faz favor de entrar!

 

30 de Novembro é o nosso dia, o Dia das Livrarias.

É também um dia de todos os leitores, dos que nos visitam frequentemente e dos que só de vez em quando podem aparecer.

Um dia em que as portas abertas das livrarias são um convite à simpatia mútua entre os livreiros e um público apreciador da função das livrarias numa sociedade que se quer mais culta através da leitura.

As livrarias estão abertas para difundir o livro e a leitura.

No Dia das Livrarias, entrar numa livraria é simultaneamente um acto de culto ao livro e uma tomada de consciência de quanto a ele devemos.
A livraria guarda o segredo dos livros que são nossos.

Faz favor de entrar!

(Adaptação do espanhol  - http://www.diadelaslibrerias.es/)

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Fotos ENCONTRO LIVREIRO 

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clip_image004[4] Entrega do 1.º DIPLOMA «LIVREIROS DA ESPERANÇA» Encontro-Livreiro 2012
Do outro lado ao telefone está um livreiro
já muito doente mas numa hora feliz
Jorge Figueira de Sousa

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Livraria Esperança, Funchal
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http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

80 ANOS: um LIVREIRO de quem todos nós
que somos os livreiros portugueses
nos devemos orgulhar

Consultas:
http://encontrolivreiro.blogspot.pt/
http://chapeuebengala.blogspot.pt/
- Novembro  2011 / Março 2012


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

SEM PERDA DE TEMPO

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http://www.josesaramago.org/

http://encontrolivreiro.blogspot.pt/

http://edicaoexclusiva.blogspot.pt/

TAMBÉM AS LIVRARIAS… SE IBÉRIA

 

El día de las librerías

http://www.cegal.es/textos/paginaParrafos.php?codigo=1

http://www.diadelaslibrerias.es/

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Da Catalunha vieram-nos rosas para o lançamento em Portugal do Dia Mundial do Livro. A mesma Catalunha que há poucos dias andou em eleições a discutir se passava de região a estado independente…

Passarem de autonomias a independências as regiões ibéricas criariam a Ibéria, porventura com vantagens para todos? Talvez fosse mais fácil todos se conhecerem, respeitarem e juntos progredirem. De tão perto as ideias chegando tarde…

 

Não nos dispersemos.

Só em cima do acontecimento este conhecimento de que em Espanha o 30 de Novembro é Dia das Livrarias, em 2.ª edição na próxima sexta-feira.

 

Não nos dispersemos.

Mas é uma iniciativa que leva de imediato à pergunta:

devemos/podemos importá-la?

 

Não nos dispersemos.

Mas arrisquemo-nos a uma impossível tradução:

CEGAL (Confederación Española de Gremios y Asociaciones de Libreros)

Confederação Ibérica de Grémios e Associações de Livreiros.

L. V.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

NA CASA DA CULTURA COM RÓMULO DE CARVALHO/ANTÓNIO GEDEÃO

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Amigos,

no seguimento da exposição aqui anunciada, será apresentado o livro de Cristina Carvalho António Gedeão / Rómulo de Carvalho – Príncipe Perfeito.

A CULSETE vai colaborar.

Em 2006, aquando da sessão que na nossa livraria se realizou comemorativa do centenário do seu nascimento, afirmámos que Rómulo de Carvalho o considerávamos uma das mais ricas personalidades do século XX português. De cada vez que revisitamos a sua obra mais se aprofunda a nossa convicção.

É já na próxima sexta-feira, 9 de Novembro p. f., às 21,30 horas.

Apareçam na Casa da Cultura de Setúbal!

FRM/MM

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LIVRARIA TRAGA-MUNDOS: 1.º ANIVERSÁRIO

http://traga-mundos.blogspot.pt/2012/11/1-ano-agradecimentos.html

 

Dar parabéns a António Alberto Alves pela sua Traga-Mundos e apoiar a divulgação do que ontem e hoje nos veio dizer no seu blogue.

Tomo isto por minha obrigação. Podia aduzir vários motivos. Só a um, para que o destaque, vou invocar e em forma de pergunta: porque é que, se uma livraria fecha, as bandeiras são hasteadas, naturalmente que a meia haste, e quando uma livraria nasce ou vem assim confirmando num 1.º aniversário a validade do seu projecto e a decidida vontade de persistir não há bandeira no alto, nem sequer uma palavrinha em pequena notícia? Será que ainda abrem livrarias e livrarias que persistem nos seus projectos tão comerciais quanto culturais?

Parabéns, colega! 
E obrigado!
Pela sua capacidade de acreditar no seu projecto e no seu trabalho.
Por nos agradecer os nadas.
E muito por nos dizer:
«
Viemos para ficar, apesar do contexto».

Livreiro Velho

sábado, 3 de novembro de 2012

MESTRE JOSÉ RUY: o respeito por uma grande obra e sem paralelo sob muito diversos aspectos


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Se neste fim-de-semana puderes e quiseres visitar a exposição central do 23.º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora é possível que lá encontres Mestre José Ruy (Fórum Luís de Camões – Núcleo Central de Exposições).

 

 

clip_image004[4]Foto de Arquivo CULSETE

José Ruy e D. Fernanda

ao chegar à livraria no Dia do Livro Infantil de 2011

 

Se tal acontecer, peço-te empenhadamente que lhe leves um abraço meu, abraço que ele bem sabe que é de amigo, grato pela sua amizade, mas também muito mais e a isso é que venho: se imensa a admiração pela pessoa, imensa também a admiração pela obra.

Se o tema “autobiografia”, com as pranchas de Peregrinação, é que é a específica aproximação a José Ruy neste Festival Amadora BD 2012, da colecção de álbuns que aqui por casa fomos compondo a partir desse histórico álbum (1.ª edição 1981),  aquele que me fica diante dos olhos, no alto da monumental torre, é naturalmente o último: Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos. A curiosidade em melhor conhecer a vida e obra do filósofo do Criacionismo (pouco mais sobre ele sabia…) levou-me a ter por perto este álbum desde há cerca de um ano, isto é, desde que foi editado, apontando-me à atenção de leitura o que podia ilustrar-me, como, por exemplo, o importante ensaio de Miguel Real em O Pensamento Português Contemporâneo 1890 – 2010 (INCM, 2011).

 

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Admito, evidentemente, a minha ignorância e ao tentar ultrapassá-la, convido outras pessoas que porventura se reconheçam em uma sua, talvez igual ou parecida, a folhear tranquilamente este álbum. Mas agradeço que não se limitem a saber o de Leonardo Coimbra, queiram também admirar o quanto da arte e engenho de José Ruy aqui se revela. Arte e engenho do artista plástico. Arte e engenho na criação narrativa.

Desde sempre este dom de compor narrativas me espantou neste nosso grande mestre da banda desenhada. E a seriedade, vastidão e segurança das suas pesquisas?

 

clip_image008[4] Foto Arquivo CULSETE

Sessão em 19.Junho. 2004

Homenagem a Aristides de Sousa Mendes

com apresentação do álbum de José Ruy sobre o herói

 

Gostaria de voltar a estes temas. Por muito saber e perceber da actividade e obra de José Ruy? Não, não é isso. Há especialistas. Apenas um desejo de muito dizer o que conheço, sinto e penso. Por gosto e por muito querer reconhecimento e proveitosa divulgação de uma obra invulgar.

 

clip_image010[4]Foto de Arquivo CULSETE

Comemorando na Livraria em 2004
o Dia Mundial do Livro e o 25 de Abril

 

Gostaria de voltar. Espero voltar. Até porque José Ruy é natural da Amadora, que dele se vem orgulhando e o tem muito justamente homenageado, mas a sua ascendência setubalense também nos dá, a todos os que por setubalenses nos entendemos, o direito ou talvez obrigação de honrar e homenagear um Mestre.

Um abraço, amigo e senhor José Ruy, nestes dias da 23.ª edição do Festival de BD da Amadora, cuja longa vida tanto lhe deve. Desde o início.

L. V.

 

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O MAIS NOVO LIVREIRO DO MUNDO

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I
Antes de mais, documentar fotograficamente. Aqui está ele, o mais novo livreiro do mundo, fotografado em 24 de Março deste ano de 2012, dia em que fez dois anos. Em 24 de Outubro, por conseguinte, passou a ter dois anos e sete meses. Dois dias depois ingressou objectivamente na profissão de livreiro ao fazer uma venda de sua inteira responsabilidade e tão bem sucedida como e quanto se verá na história inteiramente verídica que se vai contar só por graça ou talvez nem só.

II
O Livreiro Velho que esta história vem lançar na blogosfera, sendo que se considera um discípulo de Espinosa ainda que humílimo, não pode gostar de profecias. Não se convence de que a profissão de livreiro esteja em extinção. Razões, isso sim, apenas para ver a profissão em processo de mudança, quer por adaptação quer por aperfeiçoamento. Do baixo estatuto a que tem estado votada, poderá passar a profissão com exigências de alto nível. Isso acontecerá muito naturalmente logo que chegue ao fim a era das tradicionais mercearias de livros, cujo desaparecimento é indispensável para que tal se torne viável. Quando o livreiro, numa das livrarias que serão as únicas livrarias de então, for um perito indispensável, enquanto leitor preparado para o apoio ao público, quantos livreiros haverá, que preparação lhes será própria e que reconhecimento quer de autoridade quer de remuneração lhe virá da sociedade?
Não se está falando de outro, mas do público que cultiva e mais terá de cultivar a leitura em necessidade ou gosto de construir biblioteca própria.
Havendo cada vez mais livros e sendo cada vez mais necessário escolher e sendo cada vez mais necessário acertar e sendo muito bom não só encontrar como também dar-uma-vista-de-olhos-antes-de…
Um cuidado aqui se toma com não reduzir o conceito de apoio ao de aconselhamento. É muito cativante o saber e arte do bom conselho e a sua aceitação. Apoiar leitores e leitura, porém, é e deve ser muito mais.
Razões contra as profecias? É que a inteligência nem está em perigo de se perder nos novos suportes da escrita nem estão por perder-se as eternas e ricas vantagens da leitura em suporte livro. E de qualquer modo a grande questão não é a do livro, mas a da leitura. Também em crise?
O problema da leitura, sendo o problema do livreiro, assegura-lhe um mais que duradouro futuro, porque a expansão da Noosfera é irreversível e ler é-lhe intrínseco. Também de Teillard de Chardin humílimo discípulo...

III
E então a história do «livreiro mais novo»?
O Manuel Henrique veio mais cedo do infantário porque apareceu com febre. Por um bocadinho à espera da mãe teve de ficar na livraria com a avó que o sentou no seu colo enquanto ia conversando com o Sr. Valério. Pedida que lhe foi a ela uma ajuda para a escolha de um livro a oferecer a uma criança, o Manuel Henrique, que desde sempre andou pelo cantinho dos livros infantis, seguiu-a. Percebeu logo do que se tratava. Várias sugestões apresentando a avó e já o Manuel Henrique a chamar a atenção para um dos livros da Série Madagáscar. Deixar o cliente a apreciar e escolher, ir continuar a conversa interrompida. No cantinho dos infantis, ficam cliente e «livreirinho», este insistindo na sua sugestão com o argumento de que conhecia a história e era bonita. Depois também se afastou, mas por pouco tempo. Voltando, ao ver que o cliente ainda não se decidira, levantou o livro e exclamou: «Madagáscar! Madagáscar». Pronto, cliente decidido! Ao vir para pagar, «levo este», um diálogo: «que idade tem este menino?» «Dois anos e meio». «Se a história o encantou, vai também agradar a outra criança». O Manuel Henrique estava tão consciente de que efectuara uma venda que quis que fosse ele a receber o dinheiro. Sabia da profissão. Tinha aprendido. Ele, a prima e o irmão – cinco e quatro anos - desde quando se habituaram aos livros e quantos já «leram», tanto acompanhados como sozinhos? E não só. De há uns tempos para cá, além de irem por hábito ver livros no cantinho próprio, puxam cadeiras para junto do balcão, sobem e brincam a vender. As pessoas acham muita graça. Desta vez aconteceu. As coisas foram mais longe. Com dois anos e meio este mais novo livreiro do mundo demonstra que a continuidade da «espécie» está assegurada!!!
L. V.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

EUGÉNIO LISBOA: A CARTA E A ONDA

Do blogue de EduardoPitta
http://daliteratura.blogspot.pt/

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO

 

 

O texto que publico na íntegra é do escritor e ensaísta Eugénio Lisboa. Os sublinhados são da minha responsabilidade.

 

O autor foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO / conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres entre 1978-1995 / professor catedrático especial de Estudos Portugueses na Universidade de Nottingham / professor catedrático visitante da Universidade de Aveiro / e coordenador do ensino da língua portuguesa na Suécia. É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham e Aveiro. A Câmara de Cascais outorgou-lhe a medalha de Mérito Cultural.

 

Em Moçambique foi sucessivamente administrador e director das petrolíferas SONAPMOC, SONAREP e TOTAL.

 


CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL


Exmo. Senhor Primeiro Ministro


Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.


Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito  —  todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.


Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.


A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.


Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.


Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes  termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.


Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

 


De V. Exa., atentamente,

 

Eugénio Lisboa

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O EDITOR MANUEL HERMÍNIO MONTEIRO

60 ANOS SÓ HOJE…

E AINDA SERIA MUITO CEDO

PARA O PERDERMOS…

Para comemorar os 60 anos do nascimento do editor português Manuel Hermínio Monteiro, um dos casos de espantar no nosso mundo por ter querido e conseguido dedicar-se tão preponderantemente à edição de poesia e atingindo o sucesso que ainda perdura, desejei ir, por ler o prefácio do seu punho, ao, mais do que legado, monumento que concluiu à beira do fim e que é Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro.

Esse belo prefácio ou introdução que tem por título «À maneira de uma cosmogonia», termina com esta frase, sem dúvida circunstancial, directamente referida «à Porto 2001/Capital Europeia de Cultura», mas…:

«Para nós foram um exemplo e a melhor demonstração de que lidámos com verdadeiros responsáveis culturais».

Peço que voltemos atrás para juntos lermos as primeiras duas páginas, a IX e a X e traduzirmos em ideia e sentimento estas extraordinárias palavras, de uma pureza de corrente na montanha:

«Ainda sabemos muito pouco da essência e do secreto milagre da Poesia. (…) Aspiramos o seu perfume e dizemos, que bom seria se ele desse uma volta completa e perfeita a este mundo.»

Desejava e creio que devia acrescentar de mais algumas palavras este post, mas estou comovido e, pronto!, fica em só mais isto: porque é que alguém morre assim, tão novo, com tanto para dar, com tanta falta que nos faz?…

Manuel Medeiros

quarta-feira, 4 de julho de 2012

«Óptima Lua!… Só ela esta noite!… Intangível!…»

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Como agradecer a Olegário Paz (1) e a Artur Goulart (2)
as mensagens com a beleza do plenilúnio desta noite ?
R. V./V. L.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

HISTÓRIAS DO DESERTO



REFRESCAR EM JULHO 


 
«Um idoso de grande valor
levantou-se e deu a cada um
um copinho de água.

Ninguém aceitou
excepto João,
o anão.

-como é que tu,
o mais insignificante de todos,
tens a presunção
de aceitar os serviços
deste reputado ancião?

-Bem,
se me levanto para oferecer
fico feliz quando aceitam.»


Insignificâncias!
-?
-O que é que esperavas?

R. V. / L. V.
1.julho.2012