quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

«O THINK TANK DO LIVRO»

Edição Exclusiva

Não sei se é com blogues que vamos lá. Mas que é um avanço no bom caminho este querermo-nos em think tank, em «círculo de reflexão» ou «laboratório de ideias», lá isso é.

Não interessa discutir a expressão ou as autorizadas traduções. O que não vale é ficar em casa, encostado à indiferença.

A que nível de reflexão se tem de chegar para que se alcancem as ideias? Ideias mesmos, autênticas. Que descubram a careca aos palradores.

Se acreditar, como realmente acredito, na força das ideias, como posso levar a crédito de «pensadores» o atoleiro a que fomos conduzidos e em que se percebe perfeitamente que a miséria da acção vai de mãos dadas com a fraqueza das ideias? Talvez até se deva dizer que de algum modo já sabíamos que lá estávamos, mas em vez de sairmos…. O que agrava as responsabilidades de quem fala como se tivesse verdadeiras e fortes ideias.

Foi possível…
Como foi isto possível?…
Ideias?
Com que livros?
Com que leituras?
Claro que há/houve as honrosas excepções, mas que não vencem/venceram a força da corrente.

Por hipótese, algum visitante de blogues, de passagem para algum dos muitos blogues que para os livros se têm vindo a criar, terá, apesar de tudo, encontrado a lucidez de alguns intelectuais sobre as ideias ou a falta delas em que por empobrecimento a nossa civilização tem vindo a cair?

Por exemplo, a este livro de Marc Ferro podemos dar uma vista de olhos: O Regresso da História: O século XXI não para de nos surpreender?
Aquela pergunta:
Como foi possível?
…!!!???
L. V.

P. S.
Alguns Blogues de livros, entre piores e melhores,
referenciados em http://edicaoexclusiva.blogspot.pt/,
além do próprio:

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

CONVERSA DE LIVROS, ISSO SIM!

Ensinar não é comigo.

Falar de livros para que os descubram, esse sim, um modo de estar na livraria que…

Nem de propósito para despertar o Livreiro Velho:

Em causa estava inflamar-te, e não ensinar-te.

 

Não tenho a certeza: a vírgula está bem ou mal nesta frase de Genet? Talvez apareçam entre os leitores contrárias opiniões, mas este pormenor não é nada de discutir em comparação com os «disparates medonhos», salvo seja!, que assaltam a leitura deste livro, em sua tradução e apresentação de Aníbal Fernandes sob este título: No Sentido da Noite, edição Sistema Solar (http://www.orgialiteraria.org/2012/10/no-sentido-da-noite-jean-genet.html). Jean Genet é um dos muitos casos de leitura que têm de ser conversados em parâmetros incomuns. Digo mal?


Aqui há uns meses tinha tido ocasião de passar por estas páginas. De que ia cá voltar hoje, ainda ontem nada sabia. Passa-me o livro diante dos olhos e vou em experimentar-me: uma nova aproximação a estes textos de Jean Genet voltará a intrigar-me?

 

Aí vou eu, ao índice, pelo texto que mais me prendesse a atenção.

Por causa das reticências e do resto, pretendo ir à página 89: «A Estranha Palavra Que…». Mesmo (aqui  será ou não devida uma vírgula?), mesmo na página ímpar da folha anterior, a página 87, é onde abro e acontece que nela termina o conhecidíssimo texto intitulado «O Funânbulo». Não ia passar por este final sem o trazer para aqui:

Inúteis, estouvados conselhos são os que estou a dar-te. Ninguém saberia segui-los. Mas só isto eu queria: a propósito desta arte escrever um poema com um calor que te subirá à face. Em causa estava inflamar-te, e não ensinar-te.
E foi este final que me trouxe a dizer que «ensinar não é comigo». Conversa de livros, isso sim, é muito agradável.

 

Depois deste final, as ditas reticências.  Mas, essas, que fiquem para a brilhante intuição de quem as quiser ler.

Jean Genet, quem pode lê-lo sem reticências?  Adiante…

Do que, indo além dos pontinhos, aqui encontramos escrito e que sublinho, só transcrevo, com segundo sentido, evidentemente, umas duas passagens.

 

A primeira, da página 91:

Até chego a pensar que qualquer facto, íntimo ou público, deve fazer nascer uma profusão de calendários, de modo a afundar, não só a era cristã, mas o que resulta desse tempo contado a partir da Muito Contestável Natividade.

O teatro…

O TEATRO?

O TEATRO.

 

Talvez ficar a pensar na função do convencional no palco da vida e no da representação teatral, mas o mais aconselhável talvez seja terminar a leitura do texto, só voltando atrás, por um segundo,  para a outra passagem, na página anterior, a 90:

Dou-vos estes conselhos sem solenidade excessiva; estou, pelo contrário, a sonhar com a negligência activa de uma criança que conhece a importância do teatro.

 

Curioso conceito: negligência activa! Que dizer dele?

E Genet tem razão sobre o que diz da criança. Muita razão!

Comprovo essa muita razão sempre que ouço dos meninos um «vamos brincar». Deixo a escrita e vou assistir à cena.

L. V.