sexta-feira, 26 de julho de 2013

EMBARCADO NAS LIVRARIAS


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«Estamos todos num mesmo barco»:

«Estamos todos num mesmo barco»: esta frase de Rosa Azevedo mexeu, sim, com a minha sensibilidade, mas não só, também com o pensamento, esta minha reflexão interminável sobre o drama livreiro português, drama antigo e drama actual, agora com características muito diferentes das antigas.

«Antigamente é que era bom» - quem isto disser está mais uma vez a reduzir o país a três ou quatro cidades e mesmo nessas há que ter algum cuidado. Assim como já há quem ande a estudar extensamente a história das editoras, há-de aparecer quem se dedique à história das livrarias. Alguma coisa sobre livrarias já foi publicado e teremos lido, mas exige-se muito mais: cobertura vasta e visão sociológica.

Com um comércio livreiro tão fraco, só me admiro é de não serem muito mais baixos os níveis de leitura. Sou açoriano, como se sabe. Nove ilhas... Isolamento... Apesar disso, tantos livros por lá, como a minha juventude pode provar! Livros e leitores. Mesmo sem livrarias, que todas as actuais são relativamente recentes.

Actualmente, o cerco. Os grandes espaços, as cadeias de livrarias dos grupos financeiros, a internete, a perda de hábitos de leitura, o tempo que se dedica à televisão. O que nos resta para animar a confiança no futuro das livrarias, das livrarias independentes em especial?

Falo por mim. Sempre acreditei e continuo a acreditar no homem. Nunca nada esteve perdido. A Humanidade progride e uma percentagem suficiente para levar por diante a chama da procura do bem, da beleza e da verdade nunca faltou nem vai faltar. As tensões entre inteligência e ignorância, cultura autêntica e imensa estupidez, rectidão e malvadez também vêm do fundo dos tempos e ninguém lhes vê termo.

Encarar com entendimento e trabalho o drama dessas tensões é o destino de quem acredita em que o homem não é uma paixão inútil. A leitura é indispensável no não-regresso do homem à simples besta. Ainda muito besta? Dá raiva, sim, mas não é boa razão para desistir. Pelo contrário, razão acrescida para o tralho. A Natureza pode ter sido muito lenta na sua evolução até à inteligência, mas dela não se vai descuidar. É uma crença, bem sei. Como tudo o que é dito sobre o futuro. Mas está baseada na admiração pela Natureza. Inclusive da Natureza enquanto Homem.

Estou muito nas nuvens? Vou ver se desço para mais perto de terra... Cá voltarei.

L. V.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

«ESTAMOS TODOS NUM MESMO BARCO»

http://estoriascomlivros.blogspot.pt/2013/07/o-dia-em-que-se-falou-do-fecho-da-sa-da.html

As livrarias nunca estiveram tão na ordem do dia como estão hoje. Pelos piores motivos –dir-me-ão. Ainda que seja. Mas antes agora do que mais tarde, porque de há muito deviam estar em topo de agenda.

As livrarias são fundamentais para sermos um país com níveis de leitura aceitáveis. Como foi possível que o desenvolvimento do comércio livreiro não tivesse acompanhado a alfabetização do país?

Nem sob o aspecto económico, nem sob o aspecto da literacia...

Quem devia ter feito florescer por todo o país o comércio livreiro? Antes de quaisquer outros os «fabricantes de livros», expandindo o seu produto, e os responsáveis pela educação e cultura, sendo realmente res-pon-sá-veis. Mais tarde será devido referir os livreiros.

Até hoje os editores nunca se preocuparam com que prosperassem as livrarias. Salvo raríssimas excepções, as livrarias independentes só por si nunca enriqueceram ninguém. Por regra foram as papelarias que levaram os livros a muitas das nossas cidades e vilas. Os livros, ao lado dos outros, um artigo pobre sob todos os aspectos e por diversas razões.

E do lado dos responsáveis pela educação e cultura?

Um caso exemplar e relativamente recente...

Considerei uma grande ofensa aos livreiros portugueses e uma falta grave de visão das coisas não serem referidas as livrarias entre os parceiros privilegiados no incremento do Plano Nacional de Leitura. É revelador esse pormenor naqueles documentos de 2006, excelentes sob muitos aspectos. Para além do reinvestimento nas bibliotecas escolares, por regra com os mesmos defeitos do investimento precedente, e a animação dessas mesmas bibliotecas, parece que pouco mais vai ficando... Não quero contar tudo o que vi, até para que não se pense que, lá porque tenho pena de se ter passado ao largo de muitas das virtualidades do Plano Nacional de Leitura, deixei de bater palmas ao trabalho feito.

Não nos desviemos do nosso assunto: as livrarias na ordem do dia. Li agora o post da Rosa Azevedo a propósito do encerramento da centenária Livraria Sá da Costa e já lera outros, nomeadamente os de Sara Figueiredo Costa, António M. Costa, Jaime Bulhosa, Nuno Seabra Lopes.

como todos também eu lamento: R. I. P. .

«Por outro lado», como agora é uso e abuso dizer-se...

É que desde há uns tempos foram também fechando muitas casas centenárias de diversos ramos e não creio que se possa comparar o eco desses encerramentos com este, o das livrarias. Agora o da Sá da Costa e antes o de outras, o da Portugal, por exemplo.

Ao longo do meu percurso livreiro fecharam livrarias e nada parecido… Assim de repente: encerramento da Atlântida, da Pax, da Ática, da Moraes... Já vamos lembrar-nos de outras.

Este eco é novo, salvo melhor opinião. Ficamos hoje por aqui, Preferindo a um longo post voltar ao assunto. Tem muito que se lhe diga um tal eco ao ressoar nesta frase: «estamos todos num mesmo barco».

L.V.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

CULSETE-40ANOS: Arruada de Livros um bom momento de convívio

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Se eu me calasse talvez as pedras da calçada tomassem a palavra: tenho de dizer que estou contente.

«Arruada de Livros Culsete-40 anos« já está na fase final, após o esperado fim-de-semana e... O tempo, nestes dias, não ajudou, mas não impediu que tudo se cumprisse, embora o encontro com o Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida tivesse que ser dentro da livraria que esteve lotada.

Uma bela ideia, esta arruada. Está à vista. Possível devido à simpatia que despertou. Mereceu-a, creio. Possível por força de imaginação e iniciativa. Mas não seria bastante: os apoios convergentes têm essa milagrosa capacidade de fazer de simples boas ideias acontecimentos destes, que sem perderem uma elegante simplicidade são muito agradáveis. Que o confirmem as pessoas que quase diariamente têm feito do ambiente desta Arruada de Livros um bom momento de convívio.

L. V.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

CULSETE-40ANOS: em estado de gratidão


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Este Livreiro Velho, em mais uma sorte grande, regressou dos confins da vida para acompanhar e participar o mais que puder nas Comemoraçoes dos 40 anos da sua Culsete. Confirmou-se a expectativa de ter alta a tempo de estar presente no almoço festivo do domingo passado, dia 7 do corrente mês de Julho, dia em se cumpriam os 40 anos sobre a constituição da Culsete: 1973-2013. Ao voltar do almoço ainda viu o aspecto da Arruada dos Livros a inaugurar um pouco mais tarde, mas já era imperioso ir por repouso.

Depois viu fotografias, muitas e até um vídeo de uma pequena parte do serão. Naturalmente, mesmo só tendo-se arriscado a um único serão, até agora, está ao corrente de como estão as coisas a correr. A Arruada dos Livros, com este padrão, é de facto uma iniciativa muito interessante e com tudo para valer a pena.

E é um grande contentamento! No impressionante ambiente do almoço do domingo não foi fácil moderar as emoções para ir poupando energias. Foi o que ouvi, foi o diploma da Câmara Municipal de Setúbal, foi a generosidade dos pintores José Ruy e Nuno David e de Brissos Lino  com o seu poema, mas foram as pessoas, acima de tudo. A sua presença, as suas pessoais motivações, todas convergindo para uma simpatia, uma consideração e uma estima verdadeiramente penhorantes. Por mais certo que estivesse de que seria um bom momento, não esperava nem tantos participantes, nem tão diversos, nem a impressionante manifestação de apreço. Agradeci e ainda continuo em agradecimento. E por todas as razões vou de espanto em espanto. Desde o princípio das «Comerações Culsete 40 anos», mas mais intensamente nestes últimos oito dias, vai-me emocionando muito o que ao meu ecrã vai trazendo a internete. O eco tão audível e tão vasto desta comemoração e seus eventos! Como é que isto acontece? O que significa?

Em estado permanente de gratidão dia após dia me venho sentindo. A todos e em especial a quem nos deu os mais importantes apoios sem os quais muito pouco seria possível do que está acontecendo e se espera que venha a acontecer: José Teófilo Duarte (DDLX), Câmara Municipal de Setúbal, participantes na animação da Arruada dos Livros, boas vontades onde quer que foi necessário pedir colaboração e  mais quem prepara as próximas iniciativas.

Como é que isto acontece? O que significa? Volto a estas perguntas porque as deixo no ar. Tento sair da perplexidade, mas ainda não consegui. Aceito e desde já agradeço ajudas.

No entretanto, irei insistindo em «contem-nos as vossas/nossas histórias» e eu próprio estou em ir contando algumas.

L. V.

P. S.
Hoje vamos ao fim-de-semana da Arruada. Posso pedir a atenção que o respectivo programa merece?