sexta-feira, 25 de outubro de 2013

In Memoriam







Manuel Medeiros



Morreu o gajo que me chateava a trocar os livros do sítio deles nas prateleiras, quero pensar que era eu o objecto da "tortura". "Então a Assírio & Alvim que costumava estar aqui???", "Esses gajos escrevem de propósito para ti e além disso habituas-te a entrar e ir logo direitinho ao sítio das coisas e não vês mais nada e nem dizes nada a ninguém". E lá ficávamos horas a dar à tramela a somar às horas que me tinha feito "perder" a vasculhar prateleiras e estantes e ter descoberto coisas que eu nem sequer imaginava que pudessem existir. Era a minha porta Nárnia nas montanhas de páginas escritas. "Queria o livro tal do fulano de tal e não encontro…" e o empregado ia à base de dados no computador procurar o livro de tal do fulano de tal e quando o empregado descobria o livro de tal do fulano de tal já o sôr Medeiros estava há buéee ao pé de mim com o livro na mão e de caminho para o livro já me tinha dito qual era a editora quem tinha escrito o prefácio e qual o artista plástico que tinha feito a capa. Mais rápido que a própria sombra, quer dizer, que o computador com e empregado no teclado. E era mais uma tarde "perdida" a falar de tudo e mais alguma coisa e de coisas que nem lembra ao careca e chegavam mais uns quantos novos e velhos e era tudo ao barulho. Uma alegria. Três horas passadas "Então já te vais embora?.. Este gajo é uma anti-social, sempre a correr de um lado para o outro, não fala com ninguém...". Pois.

Morreu uma biblioteca maior que a biblioteca de Alexandria e a cidade ficou mais pobre. Obrigado por tudo, sôr Medeiros.

 José Simões

23/10/2013

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