domingo, 29 de dezembro de 2013

ESCRITA AMIGA– [De presépios gosto], Teresa Rita Lopes

 

Iniciamos um novo projeto neste blogue, a Escrita Amiga, textos originais ou pouco divulgados de amigos da Culsete. Começamos com o tradicional poema de Natal que a nossa querida Teresa Rita Lopes costuma enviar aos amigos nesta época. Este é o deste ano. Continuação de Boas Festas com poesia.

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De presépios gosto

desde menina.

De construir por minhas mãos um pequenino mundo a meu jeito.

A moda do Pai Natal só veio mais tarde

assim como a da Árvore de Natal.

Com ele nunca engracei

postiço das barbas até à barriga.

Quem trazia presentes à minha infância era o Menino Jesus

- cedo percebi que era uma maneira de dizer

como as fadas.

Como podia alguém como eu descer pela chaminé sem se sujar nem se aleijar?!

Da Árvore de Natal só gosto por ser árvore e verde.

(Pensar que as há de plástico!)

Hoje tenho presépios pela casa toda

todo o ano!

Que vou comprando por onde ando.

O meu Menino Jesus gosta de ser muitos

e de diferentes sítios como o Pessoa!

No Natal limito-me a actualizá-los com musgo.

E líquenes. E pinhas que trouxe ontem da Fonte do Sol.

Povoo esse mini-mundo também com conchas que combinam com a cor do barro rosado do presépio de Viana.

Mas do que mais gosto é do musgo:

cheira a terra molhada

a verde

a vida.

Sorrio para o Menino (o mesmo em todos os presépios)

e digo-lhe:

Bem hajas por vires todos os anos festejar com os homens o dia dos teus anos!

Invento para ti mundos simples e pacíficos para eles se envergonharem das suas ambições e guerras.

Ámen.

Teresa Rita Lopes

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