quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

UMA MEMÓRIA CARICATA–A licença de venda de tabaco

 

Hoje quero partilhar convosco uma memória caricata, a da licença de venda de tabaco. Regulamentada por Decreto-Lei de 28 de Junho de 1944, retificado em 5 de Abril de 1968, esta ridícula licença, que existia desde 1929, apresentava-se em duas modalidades, para o grossista e para o retalhista, e era tirada por ano civil, sendo paga de uma só vez no primeiro caso e em Junho e Dezembro no segundo, tendo preços diferenciados para vendedores de Lisboa e Porto, para outras cidades e para demais localidades. Tinha de afixar-se em lugar bem visível para que todos os compradores de tabaco a vissem. Como todo o tipo de estabelecimento comercial, da tasca à sala de espetáculos, podia, se o pretendesse, vender tabaco, esta era uma receita segura e significativa para o Estado Novo. O próprio impresso da licença era pago pelo comerciante.
Ao contrário do que se poderia pensar, a licença de venda de tabaco não foi extinta a seguir à Revolução de 25 de Abril. Ainda foi paga por todos os grossistas e retalhistas a licença referente aos anos de 1975 e de 1976. Só em 1977 deixou de existir.
A Culsete pagou a sua primeira licença de venda de tabaco a retalho a 25 de Setembro de 1973, seis dias antes de abrir a porta ao público, com validade até 31 de Dezembro desse ano. Mostra-se aqui a última licença paga pela Culsete, em 1976 (frente e verso).
F.R.M.

LICENÇA PARA VENDA DE TABACO A RETALHO F      LICENÇA PARA VENDA DE TABACO A RETALHO V

1 comentário:

  1. Haja mais destes contributos para o entendimento de como funcionavam as coisas no quotidiano dos lugares de venda de livros (que também vendiam tabaco).
    Parabéns à Fátima por todo o trabalho que tem feito, desde a concepção da livraria, nos idos dos começos de 1972/1973, até a todo o trabalho de materialização de intervenção cultural que tem decorrido durante mais de quarenta anos.

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