terça-feira, 11 de março de 2014

FINA D’ARMADA: 09.04.1945–07.03.2014


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Foi a 28 de fevereiro de 2003 que conheci pessoalmente Fina d’Armada. Risonha e simpática, senti de imediato nascer uma empatia entre nós. Participávamos ambas numas jornadas organizadas pela E.S.E. de Santarém sob o tema «Infâncias no Feminino». No final do dia trocámos telefones e cada uma partiu para o seu canto, em lados opostos do mapa. Tínhamos outros interesses em comum para além daquele que nos juntara em Santarém, os estudos sobre as mulheres. Foi, portanto, natural começarmos a falar uma com a outra por telefone. Longas e esclarecedoras conversas, em que eu bebia cada palavra, procurando sempre aprender. Depois desse dia, nas minhas idas ao norte, encontrei sempre espaço para dois dedos de conversa com Fina d’Armada. A falada vinda a Setúbal nunca chegou a acontecer.
No passado dia 7 chegou, por voz amiga, a notícia: nessa manhã Fina d’Armada partira para a grande viagem. Logo no mês de Março, logo em véspera de dia 8.
Nada ouvi na rádio ou na televisão acerca desta extraordinária mulher. Provavelmente não tive os aparelhos ligados nas horas certas…
Tão discreta, tão de causas, tão pouco interessada em fama e proveito!
Que falta me vai fazer esta poeta, esta romancista, esta investigadora, esta escritora que, como poucas no seu tempo, o nosso, soube dar significado ao seu trabalho, empenhando-se com muito afinco nas causas em que acreditava.
Para além da investigação sobre as aparições de Fátima, que logo chamou  a minha atenção, pelo que então e a vários níveis significou, gostaria de destacar aqui Mulheres Navegantes no Tempo de Vasco da Gama, publicação resultante do seu trabalho de mestrado, que lhe valeu um merecido prémio, As Mulheres na Implantação da República e Republicanas quase Desconhecidas. A forma coloquial como em algumas obras apresenta os assuntos, dialogando com o leitor de modo direto, torna a sua escrita muito afetiva e impactante.
Continuamos a perder quem melhor nos sentiu e nos pensou. Quem vai restar para nos segurar a esperança?
F.R.M.

1 comentário:

  1. achei o livro de Fátima interessante, ainda que tendencioso logo á partida.

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