quinta-feira, 27 de março de 2014

PAÍS DE ABRIL, DE MANUEL ALEGRE

 

DSCF9395

 

Foi há dias posto à venda um novo livro de Manuel Alegre, País de Abril. Trata-se de uma antologia poética onde vamos encontrar poemas que “falam de Abril antes de Abril e de Maio antes de Maio”, poemas que foram musicados e cantados por nomes como Adriano Corria de Oliveira, Zeca Afonso, Francisco Fanhais, entre outros, poemas que marcaram uma época e continuam a dizer-nos muita coisa.

Assim reunidos, têm uma força especial, de premonição. Como se lê no prefácio, “não deixa de ser intrigante que, tantos anos antes, o autor tenha escrito sobre o País de Abril, Maio e os cravos vermelhos. Como se explica? Mistérios da poesia.”

Sete anos antes do primeiro de maio de 1974, na última estrofe de «Lisboa perto e longe», poema incluído em O Canto e as Armas, lê-se :

Lisboa tem um cravo em cada mão
tem camisas que Abril desabotoa
mas em Maio Lisboa é uma canção
onde há versos que são cravos vermelhos
Lisboa que ninguém verá de joelhos.

Repare-se também nos versos da sexta estrofe de «Poemarma», incluído no mesmo livro, que anunciam o primeiro comunicado da Revolução de Abril:

Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoure e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.

Para ler, reler, pensar…

 

Sem comentários:

Enviar um comentário