quinta-feira, 24 de abril de 2014

FEIRA DO LIVRO CULSETE – 25 DE ABRIL 40 ANOS

 

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Esta tarde, a partir das 16 horas, a Culsete estará com livros sobre o 25 de Abril na Praça do Bocage. Vá lá passar uns minutos connosco.
Porém, por razões a que somos totalmente alheios, a partir de amanhã, 25 de Abri,e durante os dias 26 e 27 ESTAREMOS NA CASA DA CULTURA, mesmo ao lado da Praça do Bocage. Com os mesmos livros, com a mesma vontade de celebrar Abril.
O horário desses dias mantém-se: das 10 horas às 19;30 horas.
Apareça por lá. Vão estar à sua espera algumas personalidades das letras. José Ruy, Oliveira Castro e Jónatas Rodrigues são três nomes que desde já podemos anunciar. Outros aparecerão.
Venha conviver connosco, com estes escritores e com outros amigos que, entretanto, se juntarão a nós.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

23 DE ABRIL, DIA MUNDIAL DO LIVRO

 

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Comemora-se hoje o DIA MUNDIAL DO LIVRO.
É mais uma chamada de atenção para o livro, muito mais do que um objeto de culto, uma fonte de descoberta, de pensamento,  de crescimento, de lazer, de saber, que nos mantém vivos e atentos. E a crescer e a participar e a voar para muitos sítios, dentro e fora de nós, e … e…
Para muitos o livro é um vício, uma pulsão, uma necessidade, o alimento para os seus dias.
Este ano, por estarmos tão envolvidos nas comemorações do 25 de Abril, não faremos na Culsete a habitual maratona de leitura a que já habituámos os nossos amigos e leitores.
Mas estaremos de portas abertas à vossa espera.
Como todos os dias.
Porque na Culsete todos os dias são dias do livro.

O Dia Mundial do Livro comemora-se a 23 de abril desde 1996, por decisão da UNESCO.  
“Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Saint Jordi) e recebem em troca, um livro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, desaparecidos nesta data em 1616”.

O cartaz deste ano disponibilizado pela DGLAB, que reproduzimos, é uma criação da Lupa Design. Obrigado, Danuta.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Feira do Livro de Abril

 

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A Culsete vai estar entre 24 e 27 de Abril na Praça do Bocage, quase em frente à Câmara Municipal, para celebrar os 40 anos do 25 de Abril. Com muitos livros, claro. Livros para todos. Livros que terão sempre desconto.  Haverá livros em promoção a partir de um euro.
Horário:dia 24, das dezasseis horas à meia noite. Restantes dias, das dez às dezanove e trinta.
Esperamos a visita de todos. Venham ao encontro de Abril, dos seus heróis, das suas palavras, através dos livros.
As crianças também terão muito por onde escolher.
Marcamos então encontro no Pavilhão Culsete da praça do Bocage. Apareça. Leve a família e passe palavra aos seus amigos.

 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

10 de Abril, dia Sebastião da Gama

 

Foto de Sebastião da Gama

 

Hoje é 10 de Abril, dia de aniversário de nascimento de Sebastião da Gama. Há 28 anos, em 1986, entre 10 de Abril e 10 de Maio, a Culsete organizou, em parceria com a Câmara Municipal e o Museu de Setúbal – Convento de Jesus, uma atividade a que foi dado o nome de Evocação do Poeta Sebastião da Gama, escritor então um pouco afastado do convívio dos setubalenses. Pretendia-se que o poeta fosse lido e evocado pelo menos uma vez por ano, a 10 de Abril. Esse nosso desejo de então é hoje uma plena realidade. E a nossa ação foi determinante para tal.

Para além das sessões de abertura e encerramento, a Evocação centrou-se numa grande exposição de objetos pessoais do poeta, realizada por Ana Duarte e Fernando António Batista Pereira a partir da proposta de Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros de ser recriado o ambiente de trabalho de Sebastião. Por aí passaram centenas de crianças das escolas do concelho e muitos cidadãos vindos de todo o país, desde antigos alunos a amigos, leitores e admiradores do poeta. Esta atividade foi acompanhada durante todo o mês por uma exposição venda dos seus livros.

Esta evocação teve a colaboração da família Gama e o envolvimento dos alunos das três escolas onde Sebastião lecionou, que, além de estarem presentes nos diversos momentos da evocação, trouxeram materiais importantes para o conhecimento do professor, como cadernos, livros autografados, cartas, com destaque para a carta de Manuel Botas, amplamente divulgada pela Culsete.

A 4 de Maio, aniversário de casamento de Sebastião com Joana Luísa, foi organizada uma romagem a Estremoz, ao Largo do Espírito Santo, inserida no âmbito da evocação, tendo Joaquim Vermelho, antigo aluno nessa localidade, organizado uma exposição que completou o programa.

Além dos testemunhos de antigos alunos e de amigos e conhecidos que com o poeta privaram, participaram nas várias sessões personalidades da cultura e da vida académica portuguesa como Maria de Lurdes Belchior, Matilde Rosa Araújo e David Mourão-Ferreira. Outros, como Fausto Lopo de Carvalho, não podendo ir, mandaram depoimentos para serem lidos. Os que foram oferecidos a Fátima e Manuel Medeiros foram incluídos em 2009 no livro Papel a Mais.
De todas as homenagens e evocações feitas desde então ao poeta da Arrábida nenhuma terá sido tão extensa, tão profunda e tão pluridisciplinar como esta.

domingo, 6 de abril de 2014

Jorge Fallorca, 1949-2014

 

Foto retirada de http://aventar.eu/

Ei-los que partem, uns atrás dos outros, assim, sem aviso prévio, tornando mais estreita a nossa “sozinhês”.
Só há meia dúzia de dias dei pelo seu silêncio no Cheiro dos Livros. Só ontem li blogue amigo dando a notícia. Era tarde. Fui fazer um chá, pensando em mais esta morte.
Só hoje consigo dizer ADEUS.
f.r.m.

sábado, 5 de abril de 2014

Escrita Amiga: Artur Cunha de Oliveira, «O Papa Francisco»

 

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Cunha de Oliveira na Culsete em 29.04.2012

 

O Papa Francisco não deixa de nos surpreender. E surpreende tanto mais quanto andávamos neste mundo carentes de uma figura e voz que moralmente se nos impusesse. O que por aí vemos são, na maioria dos casos, na política e na economia, videirinhos e opressores.

Pois a última do Papa Francisco foi alterar a ordem por que até aqui a Igreja Católica nos apresentava as virtudes cardiais, isto é, aqueles bons hábitos (que isto é que é, na essência, uma virtude) que são como que gonzos (cardinais) sobre que giram as nossas acções. Eram elas (antes desta ordem do Papa Francisco): Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. Pois agora a ordem é: Prudência, Temperança, Justiça e Fortaleza. Nem mais: a Temperança em segundo lugar. E, neste tempo de uma civilização caracterizada entre o mais pelo consumismo: consumir, consumir, não há dúvida de que nos faz falta a Temperança: consumir, sim, mas com tempero. Que bom que seria todos colocarmos este ano a Temperança nos nossos consumos! Consumos de toda a ordem.

Artur Cunha de Oliveira
04.01.2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Onésimo Teotónio Almeida: PESSOA, PORTUGAL E O FUTURO

 

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Temos andado nos últimos dias tão ocupados com as atividades na Culsete que o tempo se torna curto para tudo o que queremos fazer, sobretudo para dar atenção a muitos dos livros que nos têm chegado, entre eles Pessoa, Portugal e o Futuro, de Onésimo Teotónio Almeida.

É com bastante satisfação que anunciamos a chegada às livrarias desta obra, esperada com curiosidade por alguns dos leitores, quer do poeta e criador de mundos Fernando Pessoa, quer do filósofo e professor Onésimo Teotónio Almeida.

A obra divide-se em três partes. A primeira retoma um ensaio, aliás premiado, intitulado Mensagem, uma tentativa de reinterpretação, há muito esgotado, onde são aduzidas propostas de interpretação que partem da hermenêutica filosófica, divergentes das encontradas habitualmente, centradas em visões esotéricas, místicas e patrióticas da obra em questão.

A segunda e terceira partes do livro incluem textos publicados anteriormente em atas de congressos e outros volumes coletivos. Juntam-se pela primeira vez neste volume, permitindo um olhar diferente sobre as questões em apreço. A segunda parte ilumina e alarga alguns dos pontos de vista da primeira, dando o autor diferentes achegas para o aprofundamento do seu pensamento. Na terceira parte encontramos reflexões em torno de conceitos como pátria e língua, além de outros tópicos presentes nos textos pessoanos.

Como já nos fora dado ver/ler no livro de 1987, o olhar do filósofo dá um contributo incontornável para os estudos pessoanos. Não sabemos qual será a recepção deste livro por parte dos críticos e literatos que estudam e divulgam a obra de Pessoa, mas é nossa convicção que este é um livro a merecer leitura e releitura atenta, com a ponta do lápis para os sublinhados essenciais.

Sabemos, porém, que compreender e explicar o pensamento de uma personalidade como a de Fernando Pessoa é sempre um exercício intelectual que nunca pode ser entendido como definitivo. O próprio autor afirma ser sua “profunda convicção” o facto de que “Pessoa se compreendeu e auto-interpretou melhor do que alguém alguma vez conseguiu entendê-lo ou compreendê-lo e – mais ainda – escreveu sobre si próprio mais e melhor do que todos nós juntos em sucessivos livros e congressos.” (p. 194)

Agradecer a Onésimo esta publicação é pouco. Mas é o que fazemos por agora, como seus leitores e leitores do poeta da Mensagem.

 

 

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Onésimo Teotónio Almeida na Culsete em 14.07.2013

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ainda o V Encontro Livreiro

 

O movimento Encontro Livreiro convidou  para apresentar o chamado texto oficial do V Encontro o sociólogo Nuno Medeiros que se tem dedicado à análise e reflexão de questões relacionadas com o livro, as livrarias e a edição, tendo publicado vários estudos sobre estas temáticas, entre eles o livro Edição e Editores: o mundo do livro em Portugal, 1940-1970. O texto produzido por Nuno Medeiros abordou e introduziu o tema proposto para reflexão durante o V Encontro Livreiro.

 

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LIVRARIAS: PRESENTE E FUTURO

Como lançar o tema “Livrarias: presente e futuro” para o espaço de discussão e reflexão do encontro livreiro, designação que suscita apenas aparentemente uma homologia de sentidos conferida à palavra livreiro, que se deseja antes de mais uma noção alargada em torno do livro e dos seus praticantes: leitores, editores, tradutores, gráficos, distribuidores, capistas, ilustradores, revisores, autores, agentes de representação, formadores, bibliotecários, críticos e, claro, livreiros?
O desafio que me foi proposto para trazer à fase inicial da discussão do V Encontro Livreiro obriga-me ao confronto com várias armadilhas. Devo evitá-las? E como? Sendo eu filho de livreiros e, durante muitos anos, colaborador de ocasião e de permanência no espaço livreiro, o da Culsete, que nos acolhe, sou também filho de dois promotores iniciais desta ideia: Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros. E tenho vindo a ser, na última década e meia, um estudioso de espaços e campos confluentes, da edição de livros à leitura. É uma declaração de interesses longa e heterogénea, que espero não me tolher o convite que farei para o debate a partir de algumas, poucas, ideias que procurarei delinear.
Antes de mais, convém abordar a própria categoria, para começar a pensar nela. O que é uma livraria? Como a definir? Quais os parâmetros e critérios da sua delimitação? Entramos em terreno que é mais escorregadio e rugoso do que parece, cujos ângulos se multiplicam a cada passo que damos. De que falamos, então, quando falamos de livrarias? A porta franqueia-se à complicação, diria antes complexificação. Sendo um espaço onde se vende livros, será um espaço onde apenas se vendem livros? Atiremos para a relação os espaços de papelaria onde se apresentam livros, ou de livraria onde surgem artigos de papelaria (assim como esta casa, a Culsete, mesmo que os livros ocupem espaço esmagador na proporção), ou ainda a livraria em que encontramos discos, e máquinas, e jogos, e livros. Juntemos espaços com configurações várias, como a livraria de pequena dimensão, a rede de livrarias culturais e com projecto comercial (veja-se exemplo de Óbidos, com o desígnio da obtenção do selo de Vila Literária através de iniciativas como a da rede de livrarias em elaboração), a livraria independente de maior dimensão (ou em rede), a livraria em rede, a livraria na rede.
Haverá aqui lugar para os espaços híbridos? Pergunta especiosa, pois como é fácil perceber, o carácter sincrético, misturado, impuro (palavra muito perigosa e que procuro evitar, dada a sua ressonância eugénico-cultural), da livraria, ou melhor, do espaço livreiro, é uma realidade em si mesmo. Como se desenha a linha do que é essencialmente uma livraria, do que não é? E constitui uma ordem física ou não? Visitem-se sítios electrónicos de venda de livros usados e raros e perceba-se que haverá nos seus colaboradores mais livreiros que espaços de livraria. A livraria em casa. De onde, através de cliques e idas aos correios se vai fazendo um negócio e mantendo vivo o sistema de circulação da palavra escrita, impressa e virtual.
A abordagem, portanto, não se encerra facilmente em gavetas operáveis. O que não quer dizer que se enverede por cair deliberadamente no dédalo da hiper-crítica, em que tudo é questionado até ao limite da inviabilidade de ser operacionalizado e de nos ajudar a pensar, decidir, praticar. Podia ainda ir pegar em aspectos como o da classificação em torno da existência ou não de atributos que legalmente definiriam a livraria, isto é, se um espaço de livraria entendido como espaço livreiro o é à luz de critérios de nomenclatura jurídica e administrativa. Uma parte da dificuldade de pensarmos a livraria de modo automático, logo redutor, virá certamente das transformações pretéritas sofridas pela palavra e pela polissemia que a parece ter caracterizado desde que o livreiro era também editor, distribuidor, vendedor, produtor. Outra parte da dificuldade reside seguramente na perspectiva de quem pensa a livraria, dependendo esta concepção dos seus gostos, hábitos, interesses, preferências.
Avancemos, pois corro o risco de me perder na velha rábula de Sócrates, que proponha como método certeiro para derrotar alguém pedir-lhe uma definição. As livrarias, na sua pluralidade, enfrentam hoje desafios e obstáculos insofismáveis. Não é possível iludir o encerramento sucessivo de livrarias históricas um pouco por todo o país. E outras, menos históricas, por idade ou estatuto atribuído, também têm perecido. O estado de coisas não é apenas nacional. Mesmo as livrarias de nicho, em Portugal normalmente viradas para a literatura de recepção infantil, enfrentam problemas. O panorama livreiro nacional é um panorama em muito caracterizado pela morte livreira, pelo padecimento, pelo estiolamento de espaços que muitos aprenderam a chamar seu – mesmo que eventualmente nunca lá tivessem ido ou lá fossem arribando apenas a espaços. A luta é constante e de desfecho frequentemente avassalador.
Por outro lado, como negar a resistência de projectos de criação ou recuperação, ressurreição até, de lugares devotados à venda e animação do livro? Não tenho presente essa contabilidade, a má e a boa, nem sei se está feita de modo sistemático e actual, mas sou confrontado com notícias paradoxais. Há, nesse sentido, um dinamismo, visível em encontros como este, ou como o de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde já decorreram três encontros livreiros. Há aventuras auspiciosas, em locais surpreendentes.
O ciclo é um ciclo em aceleração, pautado pela velocidade de mudança, em que a morte é contrariada pelo nascimento de novos projectos. O universo corporativo, entenda-se, dos maiores jogadores deste diversificado tabuleiro, também tem demonstrado ritmo de transfiguração. E de onde a morte, o nascimento e a compra e venda não têm estado igualmente ausentes. E o processo continua. Mesmo aqui em Setúbal se prevê a vinda de um espaço de venda de livros para o novo centro comercial em construção.
O cenário não é, por isso, de apreciação simples nem imediata. Mas está em transformação acelerada nestes últimos anos pela conjugação de factores de todos conhecidos, nos quais a inserção em movimentações igualmente sentidas internacionalmente não desempenha certamente um papel menor. Refiro apenas quatro, provavelmente os factores mais decisivos, se exceptuarmos o contexto geral de contracção económica, com evidentes e duradouras repercussões em tudo quanto tenha que ver com o livro: a) a concentração editorial e, em escala e com contornos diferentes, o seu émulo livreiro; b) a transfiguração tecnológica e a adopção de novos produtos, vias de acesso e práticas de fruição; c) o crescimento dos espaços virtuais de venda, edição e criação autoral (e aqui também a explosão dos serviços de auto-edição e comercialização, mesmo quando maquilhados com chancela); d) o fim provavelmente definitivo do modelo de distribuição assente em empresas de maior ou menor dimensão sustentado num acompanhamento de venda por comissão através da proximidade e de modos de venda não assentes em ritmos vertiginosos de rotatividade editorial nem em compra de espaço de montra e de exposição.
A livraria tem de encontrar o seu caminho por entre um número alargado e volúvel de indicadores, tanto de entropia como de oportunidade, tanto de impedimento como de possibilidade. É verdade que o alinhamento do universo não é neste momento o melhor, mas o campo mudou inapelavelmente. E continua a mudar. Que fazer, então?
Não tenho nem quero oferecer um receituário. Não creio que existam panaceias, nem mesmo que cheguem a ser desejáveis. Mas ocorre-me um conjunto de perguntas. Onde tem estado a lógica colectiva, de debate e acção? Multipliquem-se espaços como estes, diversifiquem-se momentos como o que nos levou até à Culsete numa tarde como a do último domingo de Março. Expanda-se o recurso aos jornais e restantes meios de comunicação, até à televisão. Haja uma atenção aos blogues que por aí vão aparecendo. Não resisto a mencionar o da Edição Exclusiva (
http://edicaoexclusiva.blogspot.pt/), gerido pelo Nuno Seabra Lopes, perdoem-me a referência interessada, já que sou membro – muito preguiçoso – do mesmo. Mas há muitos outros, onde se procura discutir e pensar o universo do livro e que vale a pena espreitar e usar como recurso.
E a componente associativa? Seja para defender os interesses de representação de uma classe que nunca foi só uma, seja para dinamizar e forçar a associação existente, APEL, a abraçar novos rumos de intervenção no que concerne à questão – ou questões – livreira. Seja ainda para pensar em formas de ultrapassar condicionamentos antigos, como o reduzido poder negocial de compra e encomenda de entidades o mais das vezes fragmentadas, de tamanho reduzido e actuando isoladamente.
A capacidade de acção colectiva pode encontrar barreiras difíceis de ultrapassar em termos de uma agenda comum e de âmbito alargado, pois as prioridades e os interesses nem sempre são possíveis de harmonizar institucionalizadamente, através de uma nova associação, por exemplo, ou até da transformação da APEL numa federação de associações ou centros de representação distintos entre editores, distribuidores e livreiros. Mas a prática já demonstrou que é possível agitar as águas, pelo menos a julgar por casos recentes como a da intervenção de um conjunto de livreiros independentes (à falta de outro termo) junto das autoridades para obrigar ao respeito da Lei do Preço Fixo por outras entidades de venda do livro, algumas das quais assumidamente livrarias. Neste caso não foi necessária uma acção organizada em torno de um elemento de associação, mas apenas de mobilização concertada em torno de um desiderato específico.
Mas, por outro lado, o exemplo que aduzi acaba – e reconheço-o provocatoriamente – por contribuir para um reforço da heterogeneização do campo livreiro (não que isso seja mau ou indesejável), já se trata de uma espécie de luta intestina, livrarias contra livrarias, habitando embora lugares muito diferentes, como diferente e hierárquico é o seu posicionamento geoestratégico no circuito de comercialização do livro.
O tempo é pouco e as ideias muitas e em atropelo mútuo. Termino por aqui, nem sem antes fazer breve alusão ao terceiro termo, não formulado, da equação inicial: o passado das livrarias. O fecho de muitos destes espaços também encerra a potencial perda ou dissipação de material imprescindível ao conhecimento da cultura impressa e da circulação do livro em Portugal nos últimos cem anos. Essa potencial perda ou dissipação têm sido, aliás, a regra. Tal como para o património editorial, documental e não documental, fará muita falta continuar a alimentar um esforço de discussão e mobilização para a salvaguarda e estudo desse património livreiro, que engrossa, afinal, o património geral do que se convencionou chamar de História Contemporânea de Portugal. Sugiro uma incursão no sítio electrónico, pioneiro, sobre o arquivo histórico da editora e livraria Romano Torres (
http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/).

Nuno Medeiros, professor e investigador em Ciências Sociais


 

terça-feira, 1 de abril de 2014

2 de Abril, Dia Internacional do Livro Infantil


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No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, o dia 2 passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.
Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2014, a DGLAB convidou a ilustradora Ana Biscaia, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser a autora da imagem do cartaz. Tal como tem sido habitual, o cartaz impresso será distribuído pelas Bibliotecas Municipais e por algumas livrarias de literatura infantil.
A Culsete orgulha-se de poder mostrar aos seus visitantes este  cartaz, ao lado de alguns de anos anteriores.

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade da Irlanda, pode ser
encontrada em http://www.ibby.org/index.php?id=269.
A seguir pode ler-se a tradução em português difundida pelo DGLAB:

CARTA ÀS CRIANÇAS DE TODO O MUNDO

Os leitores perguntam muitas vezes aos escritores como é que escrevem as suas histórias – de onde vêm as ideias? Da minha imaginação, responde o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde fica a imaginação, de que é que ela é feita, e será que todos temos uma?
Bem, diz o escritor, fica na minha cabeça, claro, e é feita de imagens e palavras e memórias e vestígios de outras histórias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e ritmos e pequenos cliques e flashes e sabores e explosões de energia e enigmas e brisas e palavras. E fica tudo a girar lá dentro e a cantar e a parecer um caleidoscópio e a flutuar e a pousar e a pensar e a arranhar a cabeça.
Claro que todos temos uma imaginação: se assim não fosse, não seríamos capazes de sonhar. Contudo, nem todas as imaginações são feitas das mesmas coisas. A imaginação dos cozinheiros tem sobretudo paladares e a dos artistas mais cores e formas. Mas a imaginação dos escritores está cheia de palavras.
E nos leitores e ouvintes das histórias, as imaginações fazem-se com palavras também. A imaginação do escritor trabalha e gira e molda ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa história, e a história é apenas feita de palavras, batalhões de rabiscos que marcham ao longo das páginas. E depois chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Ficam na página, parecem ainda rabiscos, mas também brincam na imaginação do leitor, e o leitor começa igualmente a desenhar e a rodar as palavras de modo a que a história se crie agora na sua cabeça, tal como tinha acontecido na cabeça do escritor.
É por isso que o leitor é tão importante para a história como o escritor. Há apenas um escritor para cada história, mas há centenas ou milhares ou mesmo milhões de leitores, na própria língua do escritor ou traduzida para muitas línguas. Sem o escritor, a história nunca teria nascido; mas sem os milhares de leitores em todo o mundo, a história não viveria todas as vidas que pode viver.
Cada leitor de uma história tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma história. Separadamente, mas também em conjunto, eles recriam a história do escritor com a sua própria imaginação: um ato ao mesmo tempo privado e público, individual e coletivo, íntimo e internacional. Isto deve ser o aquilo que o ser humano faz melhor.
Continua a ler!
Siobhán Parkinson
Autora, editora, tradutora e distinguida com o Laureate na nÓg (Children’s Laureate of Ireland).
Tradução portuguesa: Maria Carlos Loureiro