sexta-feira, 4 de abril de 2014

Onésimo Teotónio Almeida: PESSOA, PORTUGAL E O FUTURO

 

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Temos andado nos últimos dias tão ocupados com as atividades na Culsete que o tempo se torna curto para tudo o que queremos fazer, sobretudo para dar atenção a muitos dos livros que nos têm chegado, entre eles Pessoa, Portugal e o Futuro, de Onésimo Teotónio Almeida.

É com bastante satisfação que anunciamos a chegada às livrarias desta obra, esperada com curiosidade por alguns dos leitores, quer do poeta e criador de mundos Fernando Pessoa, quer do filósofo e professor Onésimo Teotónio Almeida.

A obra divide-se em três partes. A primeira retoma um ensaio, aliás premiado, intitulado Mensagem, uma tentativa de reinterpretação, há muito esgotado, onde são aduzidas propostas de interpretação que partem da hermenêutica filosófica, divergentes das encontradas habitualmente, centradas em visões esotéricas, místicas e patrióticas da obra em questão.

A segunda e terceira partes do livro incluem textos publicados anteriormente em atas de congressos e outros volumes coletivos. Juntam-se pela primeira vez neste volume, permitindo um olhar diferente sobre as questões em apreço. A segunda parte ilumina e alarga alguns dos pontos de vista da primeira, dando o autor diferentes achegas para o aprofundamento do seu pensamento. Na terceira parte encontramos reflexões em torno de conceitos como pátria e língua, além de outros tópicos presentes nos textos pessoanos.

Como já nos fora dado ver/ler no livro de 1987, o olhar do filósofo dá um contributo incontornável para os estudos pessoanos. Não sabemos qual será a recepção deste livro por parte dos críticos e literatos que estudam e divulgam a obra de Pessoa, mas é nossa convicção que este é um livro a merecer leitura e releitura atenta, com a ponta do lápis para os sublinhados essenciais.

Sabemos, porém, que compreender e explicar o pensamento de uma personalidade como a de Fernando Pessoa é sempre um exercício intelectual que nunca pode ser entendido como definitivo. O próprio autor afirma ser sua “profunda convicção” o facto de que “Pessoa se compreendeu e auto-interpretou melhor do que alguém alguma vez conseguiu entendê-lo ou compreendê-lo e – mais ainda – escreveu sobre si próprio mais e melhor do que todos nós juntos em sucessivos livros e congressos.” (p. 194)

Agradecer a Onésimo esta publicação é pouco. Mas é o que fazemos por agora, como seus leitores e leitores do poeta da Mensagem.

 

 

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Onésimo Teotónio Almeida na Culsete em 14.07.2013

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