domingo, 25 de janeiro de 2015

Luís Alves Dias: 18.02.1932–21.01.2015

 

(foto retirada de http://bairrocampodeourique.blogspot.pt/)

Foi com imenso pesar que soubemos do falecimento, após algum tempo de internamento, de Luís Alves Dias, o histórico livreiro da Livraria Ler.
O mundo do livro está mais pobre, a classe dos livreiros perdeu um dos seus elementos mais importantes das últimas décadas. A equipa da Culsete envia o seu abraço de solidariedade à família, aos colaboradores e amigos do livreiro.

Luís Alves Dias começou a trabalhar em livraria na Aillaud & Lello da Rua do Carmo quando tinha apenas 13 anos. Aí se apaixonou pelos livros e pelo trabalho de livreiro. Foi essa, segundo palavra suas, a sua universidade. Aí conheceu grande parte dos intelectuais que frequentavam os meios livreiros naquele tempo. Em 1959 foi trabalhar para a Livraria do Diário de Notícias, no Rossio, e em 1963 integrou o grupo que fundou o Centro do Livro Brasileiro, compatibilizando o trabalho de livreiro com as encomendas de livros para o Brasil.

Em fevereiro de 1970 abre ao público, em Campo de Ourique, a sua livraria, a Ler, cuja esfera de influência se irá aos poucos alargando do bairro a toda a cidade de Lisboa. Aí viverá um longo historial de enfrentamento e luta contra a censura. Muita gente, de muitos lados, aí acorria para comprar os livros apreendidos que sempre soube esconder. Muitos de nós ainda se lembram dos autos de apreensão que expôs aos olhos do público após o 25 de Abril.

Foi também editor. Quem não tem em casa um dos livros de José da Felicidade Alves dos inícios de 1970 ou alguns dos Cadernos Maria da Fonte, que se editaram até aos anos 80?

O legado de Luís Alves Dias é grande, a sua livraria felizmente continua firme contra ventos e tempestades, tendo agora ao leme o filho do livreiro, e também editor, Luís Alves.

F.R.M.

 

CULSETE, A PAIXÃO DA LEITURA

 

Sem comentários:

Enviar um comentário